04 Mitos comuns sobre alimentação infantil (e o que a ciência realmente diz)

Proteína em excesso, “superalimentos”, água/chá antes dos 6 meses e dietas sem glúten/lactose: entenda 4 mitos da alimentação infantil e o que a ciência realmente diz sobre eles.

MITOS & VERDADES

Rachel Francischi & Ana Federici

1/7/20264 min read

A alimentação infantil não precisa de modismos — precisa de clareza

Nos primeiros anos de vida, a alimentação constrói bases: crescimento, saúde, paladar e hábitos que acompanham a criança por muito tempo.

Mesmo assim, mitos seguem circulando em família, em grupos de pais e nas redes — e acabam bagunçando a rotina, gerando culpa e decisões desnecessárias.

A seguir, o NaCaZinha responde 4 dúvidas muito comuns com explicações simples e cientificamente coerentes.

Proteínas em excesso fortalecem o crescimento da criança?- MITO

Proteína é importante para crescer. Mas oferecer “mais do que precisa” não acelera o desenvolvimento e pode, inclusive, ser prejudicial e contribuir para obesidade infantil.

Na prática, o que sustenta crescimento saudável é o conjunto: rotina de refeições, variedade de alimentos, sono, movimento e um prato equilibrado.

Na prática, o que fazer no dia a dia

• Priorize variedade no prato (não “forçar” um grupo).

• Pense em proteína como parte da refeição — não como a refeição inteira.

• Observe o padrão semanal, não um único dia.

Exemplo real de rotina

A criança “só almoça” se tiver muito frango/queijo, e o restante do prato (arroz, feijão, legumes) some. Isso costuma virar um ciclo de seletividade.

Quando vale procurar ajuda?

Se o prato está sempre muito restrito, ou se há preocupação com crescimento/ganho de peso, vale uma avaliação individual.

“Superalimentos” são indispensáveis para a nutrição infantil?- MITO

Não existe alimento mágico que “salva” a nutrição infantil. O que importa é o padrão: comida de verdade, repetição e variedade ao longo do tempo.

Quando a rotina fica dependente de “ingredientes da moda”, é fácil perder o essencial: refeições simples e consistentes.

Na prática, o que fazer no dia a dia

• Foque no básico bem feito: frutas, legumes, feijões, grãos, ovos, carnes/alternativas.

• Use “ingredientes diferentes” como bônus — não como obrigação.

• Escolha o que cabe no orçamento e na realidade da casa.

Exemplo real de rotina

A família compra um “superalimento” caro e, para compensar, corta frutas e legumes da feira. No fim, a alimentação fica menos variada.

Quando vale procurar ajuda?

Se a família sente que “nunca está fazendo o suficiente”, vale organizar um plano simples e possível.

Amamentação pode ser complementada com chás ou água nos primeiros meses?- MITO

Quando falamos de amamentação exclusiva, isso significa: somente leite materno, sem água, chás ou outros líquidos nos primeiros 6 meses.

Oferecer água/chá pode reduzir a ingestão de leite e atrapalhar a dinâmica da amamentação.

Na prática, o que fazer no dia a dia

• Em dias quentes, ofereça mais peito (o leite também hidrata).

• Evite “chazinho para cólica” antes dos 6 meses.

• Em dúvidas específicas (prematuridade, condição clínica), individualize com pediatra/nutri.

Exemplo real de rotina

“Ele ficou com sede” vira água no copinho. Só que o bebê passa a mamar menos e a família percebe queda de ganho de peso ou mais irritação.

Quando vale procurar ajuda?

Se houver dúvida sobre hidratação, ganho de peso, mamadas muito curtas ou dificuldades na amamentação.

Dietas sem glúten e sem lactose são mais saudáveis para crianças?- MITO

Essas restrições só fazem sentido quando há indicação clínica comprovada (por exemplo, doença celíaca ou intolerância à lactose).

Sem necessidade, cortar grupos alimentares pode limitar nutrientes e complicar o equilíbrio da dieta.

Na prática, o que fazer no dia a dia

• Não corte por conta própria para “testar”.

• Se há sintomas (dor abdominal, diarreia, pele, chiado), investigue com orientação.

• Cuidado com substitutos ultraprocessados “sem glúten/sem lactose”.

Exemplo real de rotina

A criança tira lactose e passa a consumir mais “produtos prontos” sem lactose com açúcar e aditivos — e a dieta piora.

Quando vale procurar ajuda?

Sintomas persistentes, alergias suspeitas, seletividade importante ou ansiedade alimentar na família.

Para levar para casa

• Variedade e consistência valem mais do que excesso de um nutriente.

• “Superalimento” não substitui rotina alimentar.

• Até 6 meses, amamentação exclusiva não pede água nem chá.

Se a alimentação virou fonte de dúvida, restrição ou estresse, o consultório do NaCaZinha pode ajudar a traduzir ciência em rotina — com um plano possível para sua família. 💛

Este texto faz parte da série Mitos & Verdades da Alimentação Infantil do NaCaZinha.