Adoçante, suco e açúcar: 4 mitos que sabotam a alimentação infantil

Adoçantes, suco natural e “só um pouquinho de açúcar”: entenda 4 mitos e a recomendação de evitar açúcar e ultraprocessados nos 2 primeiros anos. Por que esse tema dá tanta confusão?

MITOS & VERDADES

Rachel Francischi & Ana Federici

1/11/20264 min read

Quando a rotina aperta, é comum buscar “atalhos”: suco no lugar de água, versões “zero açúcar” e pequenas exceções diárias.

O problema é que, na infância, preferência pelo doce se aprende com exposição repetida — e isso molda o paladar e os hábitos.

Aqui vão 4 pontos-chave, de forma simples e objetiva.

O uso de adoçantes é seguro para crianças? - Mito

Adoçantes não constroem um paladar mais saudável. Em muitos casos, apenas mantêm a preferência por gosto doce.

O objetivo na infância não é “trocar açúcar por adoçante”, e sim reduzir o doce como centro da alimentação e ampliar repertório de alimentos naturais.

Na prática, o que fazer no dia a dia:

• Prefira iogurte natural + fruta amassada, em vez de “zero açúcar”.

• Para sobremesa: fruta, preparos caseiros simples, porções pequenas.

• Evite transformar “doce todo dia” em hábito.

Exemplo real de rotina

A criança toma “bebida zero” ou come “gelatina diet” diariamente. O paladar continua pedindo doce o tempo todo.

Quando vale procurar ajuda

Se o doce é a principal moeda de negociação, ou se há muita ansiedade alimentar.

Suco de fruta natural é uma boa opção para hidratar crianças? - Mito

Mesmo natural, suco concentra açúcares da fruta e reduz o papel da fibra (que dá saciedade e ajuda o intestino). Para hidratação, água é prioridade.

Fruta inteira e água costumam ser a dupla mais amiga da rotina.

Na prática, o que fazer no dia a dia:

• Para sede: água.

• Para lanche: fruta in natura.

• Se houver suco, que seja ocasional — e não “bebida de rotina”.

Exemplo real de rotina

A criança “não bebe água”, mas toma suco o dia todo. No fim, o consumo de açúcar aumenta e a fome nas refeições bagunça.

Quando vale procurar ajuda

Se a criança recusa água de forma persistente, vale ajustar ambiente e hábitos.

O açúcar pode ser introduzido gradualmente em pequenas quantidades?Mito

Nos dois primeiros anos, a orientação é não adoçar frutas e bebidas e evitar preparos com açúcar adicionado. 

Isso não é sobre perfeição. É sobre não treinar o paladar para que tudo “precise” de doce desde cedo.

Na prática, o que fazer no dia a dia:

• Evite adoçar mamão, vitamina, leite, chá, etc.

• Atenção a “açúcar disfarçado” em produtos prontos.

• Crie cultura de lanche simples: fruta + água.

Exemplo real de rotina

“Só um pouquinho no leite” vira diário — e a criança passa a recusar sem açúcar.

Quando vale procurar ajuda

Se há muita pressão familiar (“mas eu sempre dei e deu certo”), um plano claro ajuda a alinhar expectativas.

Ultraprocessados não têm lugar na alimentação de crianças até 2 anos — verdade ou exagero? - Verdade

A orientação oficial brasileira para menores de 2 anos inclui não oferecer ultraprocessados.

Eles competem com alimentos nutritivos e acostumam a criança a sabores intensos (muito doce, muito salgado), além de facilitarem uma rotina mais baseada em “produtos” do que em comida.

Na prática, o que fazer no dia a dia:

• Troque “snack de pacote” por pipoca simples, fruta, pão com pasta caseira.

• Planeje 2–3 lanches “de emergência” de verdade.

• Monte lista curta de compras que você dá conta de repetir.

Exemplo real de rotina

A família evita açúcar “puro”, mas oferece biscoito, iogurte adoçado e cereais infantis quase todos os dias.

Quando vale procurar ajuda

Se a rotina está muito dependente de ultraprocessados por falta de tempo/ideias, dá para reorganizar com estratégias realistas.

Para levar para casa

• A meta não é “zero açúcar perfeito”. É não treinar o paladar cedo demais.

• Água é hidratação. Suco é outra coisa.

• Até 2 anos, ultraprocessados não são recomendados.

Se você quer reduzir açúcar e ultraprocessados sem briga e sem radicalismo, o consultório do NaCaZinha pode ajudar com um plano prático, afetivo e baseado em evidências.

Este texto faz parte da série Mitos & Verdades da Alimentação Infantil do NaCaZinha.