Gordura, textura e paladar: 4 verdades para a criança comer melhor
Entenda como gordura, textura e paladar influenciam a aceitação alimentar. Veja 4 verdades práticas para ajudar seu filho a comer melhor. Com leveza evidências.
MITOS & VERDADES
Rachel Francischi & Ana Federici
1/16/20263 min read


O prato infantil é mais do que “nutrientes”. Na infância, comer é também aprender: com o corpo, com a boca, com as mãos e com a repetição.
Algumas escolhas simples na rotina — como oferecer texturas e não demonizar gorduras — mudam o jogo.
Crianças devem evitar alimentos fontes de gordura? - Mito
Gorduras saudáveis são essenciais, especialmente para desenvolvimento cerebral e absorção de vitaminas.
O ponto não é “tirar gordura”. É escolher boas fontes e evitar excessos de gorduras saturadas/trans no dia a dia.
Na prática, o que fazer no dia a dia:
• Inclua fontes como abacate, azeite, ovos, peixes e oleaginosas (quando apropriado e seguro).
• Evite a lógica “light para criança” como padrão.
• Observe o conjunto: prato equilibrado + rotina.
Exemplo real de rotina
A família tira gema do ovo e evita azeite por medo de engordar. O prato fica menos nutritivo e menos saboroso.
Quando vale procurar ajuda
Se há preocupação com ganho de peso, melhor avaliar o padrão alimentar como um todo.
A textura dos alimentos influencia o desenvolvimento oral? - Verdade
Texturas são treino. Evoluir consistências ao longo do tempo estimula habilidades orais, mastigação e organização da boca.
Além disso, texturas ajudam a criança a reconhecer alimentos de verdade — e não apenas “comida igual”.
Na prática, o que fazer no dia a dia:
• Progrida texturas gradualmente, respeitando segurança e idade.
• Varie: macio, amassado, em pedaços apropriados.
• Evite manter por muito tempo apenas “pastas lisas”.
Exemplo real de rotina
A criança chega a 1 ano comendo só papinhas lisinhas. Depois, qualquer pedaço vira recusa.
Quando vale procurar ajuda
Dificuldades persistentes com texturas, engasgos frequentes, seletividade intensa ou preocupação com mastigação.
Começar a introdução alimentar com frutas faz a criança preferir doce? - Mito
A preferência alimentar se constrói com repetição, variedade e contexto.
O que realmente molda paladar ao longo da infância é ser exposta a muitos sabores (inclusive os menos óbvios, como amargos e ácidos) sem pressão.
Na prática, o que fazer no dia a dia
• Ofereça frutas, legumes, feijões, ovos, carnes/alternativas.
• Varie preparos e horários.
• Não transforme comida em “teste” ou “ameaça”.
Exemplo real de rotina
A família evita fruta com medo do doce, mas oferece produtos prontos com açúcar. O problema não era a fruta.
Quando vale procurar ajuda
Se a criança aceita pouquíssimos alimentos e há medo de “fazer errado”.
Exposição repetida aos alimentos ajuda a reduzir rejeições iniciais? - Verdade
Recusar de primeira é comum. O que funciona é repetição gentil, sem pressão.
Comer é aprendizagem — e, muitas vezes, precisa de tempo.
Na prática, o que fazer no dia a dia
• Reapresente o alimento em pequenas porções.
• Combine com algo aceito (“um pedacinho ao lado”).
• Sem chantagem e sem “mais uma colher”.
Exemplo real de rotina
A criança fez careta para brócolis uma vez e a família nunca mais ofereceu. A chance de aceitação diminui.
Quando vale procurar ajuda
Se as recusas são muito intensas, com sofrimento, ou se a rotina está virando briga diária.
Para levar para casa
• Gorduras boas ajudam: não são vilãs.
• Textura é desenvolvimento.
• Repetição sem pressão é uma das estratégias mais eficazes.
Se a criança está com seletividade importante, dificuldades com texturas ou se a rotina está pesada para a família, o consultório do NaCaZinha pode ajudar com estratégia prática e acolhedora.
Este texto faz parte da série Mitos & Verdades da Alimentação Infantil do NaCaZinha.








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