Alimentos ideais: o que o bebê deve comer na introdução alimentar?
Quais alimentos oferecer primeiro na introdução alimentar? Por que? Entenda por que começar com alimentos in natura, como a escolha evolui e como respeitar o bebê
INTRODUÇÃO ALIMENTAR
Rachel Francischi & Ana Federici
12/31/20255 min read


Introdução alimentar: quais são os primeiros alimentos do bebê e como essa escolha evolui
Depois de compreender quando iniciar a introdução alimentar, os sinais de prontidão do bebê e o papel central do leite nesse período, surge uma das dúvidas mais comuns entre as famílias:
Quais alimentos oferecer primeiro?
A ciência e a prática clínica mostram que não existe um único alimento obrigatório para começar.
O que existe são critérios fundamentais que orientam escolhas seguras, nutritivas e respeitosas para o bebê.
Por que os primeiros alimentos precisam ser in natura
No início da alimentação complementar, o bebê ainda está:
aprendendo a coordenar língua, lábios e mandíbula
desenvolvendo habilidades de mastigação e deglutição
conhecendo novas texturas, sabores, temperaturas e cheiros
adaptando um intestino ainda imaturo a alimentos diferentes do leite
Por isso, os primeiros alimentos devem ser:
in natura
de fácil reconhecimento visual
simples de preparar
seguros do ponto de vista da segurança alimentar, sem risco de contaminação por micro-organismos que possam causar infecções gastrointestinais ou intoxicações alimentares
O intestino do bebê é particularmente sensível. Episódios de diarreia, desidratação e infecções podem ocorrer com mais facilidade nessa fase, o que reforça a importância da escolha adequada dos alimentos e do cuidado no preparo.
👉 Esse cuidado não é excesso de zelo — é respeito à fisiologia do bebê.
Por que, no Brasil, as frutas costumam ser os primeiros alimentos
No contexto brasileiro, é muito comum que as frutas sejam os primeiros alimentos oferecidos.
Isso acontece principalmente por razões práticas e culturais:
são alimentos frescos e in natura
é fácil identificar se estão maduras ou estragadas
exigem preparo simples
permitem ajustes fáceis de textura
fazem parte da cultura alimentar da maioria das famílias
Ou seja, não é porque a fruta é obrigatória, mas porque ela se encaixa muito bem nas necessidades desse início.
Em outras culturas, outros começos — e todos podem funcionar
Quando observamos diferentes culturas ao redor do mundo, vemos que o início da alimentação complementar varia bastante:
Ásia: arroz e preparações à base de arroz
Europa: cereais e mingaus
Estados Unidos e Canadá: legumes como cenoura, abobrinha e batata-doce
Essas diferenças deixam claro que não é o primeiro alimento isolado que define o sucesso da introdução alimentar, mas sim:
a progressão
a qualidade dos alimentos
o respeito ao desenvolvimento do bebê
A evolução dos alimentos acompanha a maturidade do intestino
Nos primeiros dias, o objetivo principal é permitir que o intestino:
reconheça os alimentos
desenvolva tolerância digestiva
amplie gradualmente sua diversidade microbiana
À medida que essa adaptação acontece, a alimentação evolui naturalmente para alimentos com maior densidade nutricional, como:
leguminosas (feijão, lentilha, grão-de-bico)
ovos
carnes, para bebês não vegetarianos
folhas mais fibrosas
preparações que combinam diferentes alimentos
Esse avanço é gradual, respeitoso e acompanha o desenvolvimento motor e oral do bebê.
Os cinco grupos alimentares na alimentação complementar
Ao longo da introdução alimentar, buscamos construir refeições que contemplem os cinco grupos alimentares, apresentados de forma clara e prática:
1. Cereais, tubérculos e raízes
Arroz, mandioca, batata, mandioquinha, milho, quinoa
2. Leguminosas
Feijão, lentilha, grão-de-bico, ervilha
3. Carnes, ovos e alternativas vegetais
Carne bovina, frango, peixe, ovos e preparações com leguminosas
4. Legumes
Cenoura, abobrinha, chuchu, abóbora, beterraba
5. Verduras e hortaliças folhosas
Couve, espinafre, escarola, brócolis, alface
Essa composição favorece crescimento, desenvolvimento, formação do paladar e diversidade alimentar.
Por que não usar peneiras, liquidificador ou mixer no início
Homogeneizar os alimentos em peneiras, liquidificador ou mixer:
prejudica a estrutura das fibras
reduz a experiência sensorial
não estimula a mastigação
limita o desenvolvimento oral
Na introdução alimentar, o ideal é amassar com o garfo ou oferecer alimentos macios em pedaços adequados, sempre respeitando a segurança.
Essa é uma janela crucial para o desenvolvimento da mastigação e do paladar.
Classificação dos alimentos: o que não deve fazer parte desse início
Na alimentação complementar:
não se oferece açúcar
não se oferecem sucos
não se oferecem ultraprocessados
Os alimentos devem ser in natura, preparados em casa, com atenção à higiene e ao preparo.
Alimentos potencialmente alergênicos devem ser introduzidos de forma adequada, segura e orientada, sem atrasos desnecessários, conforme as recomendações atuais.
Desenvolvimento do paladar: mitos e o que a ciência mostra
É comum ouvir que iniciar a introdução alimentar pelas frutas “vicia” o paladar do bebê no doce e dificulta a aceitação de alimentos salgados.
👉 Isso não é verdade.
Não existe evidência científica que sustente essa afirmação.
Na prática clínica, há milhares de exemplos de bebês que iniciaram a alimentação complementar pelas frutas e desenvolveram um padrão alimentar variado, saudável e equilibrado.
O paladar do bebê já nasce com preferências — e elas são individuais
O bebê não chega à introdução alimentar com o paladar neutro.
Ele já está acostumado ao sabor do leite, que:
é naturalmente mais adocicado
contém proteínas que trazem uma percepção próxima ao “salgado”, mesmo sem adição de sal
Além disso, as preferências são individuais. Alguns bebês aceitam melhor sabores ácidos ou azedos; outros demonstram preferência por sabores mais adocicados.
👉 Não existe regra fixa sobre preferência de sabores.
Sabores amargos, ácidos e azedos também se aprendem
Sabores como:
amargo (folhas verdes)
ácido ou azedo (tomate, frutas cítricas)
sabores mais intensos
podem exigir mais tempo de exposição. Caretas, protrusão da língua, cuspir ou estranhar são respostas comuns e fazem parte do aprendizado — não indicam rejeição definitiva.
A construção do paladar depende de:
repetição
constância
variedade
tempo
Temperos naturais: educar o paladar desde o início
Não é necessário usar sal na alimentação complementar.
O ideal é que o bebê aprenda o sabor natural dos alimentos.
Quando se utilizam temperos, eles devem ser sempre naturais:
cebola
alho
tomate
salsinha
cebolinha
ervas frescas
🚫 Não devem ser usados:
caldos industrializados
temperos prontos
condimentos fortes
molho de soja
excesso de sal
Água desde o início da introdução alimentar
Assim que a introdução alimentar começa, a água deve ser oferecida diariamente, em pequenas quantidades.
Ela auxilia na hidratação, na digestão e na adaptação aos novos alimentos, sem substituir o leite.
Introdução alimentar é progressão, não regra rígida
A introdução alimentar é um processo contínuo, que respeita:
o desenvolvimento do bebê
a cultura alimentar da família
a rotina possível do dia a dia
Quando conduzida com informação, escuta e prática, a alimentação deixa de ser fonte de medo e passa a ser espaço de aprendizado e vínculo.
Caminhamos com as famílias em cada etapa desse processo
No NaCaZinha, acompanhamos famílias desde os primeiros alimentos até a consolidação dos hábitos alimentares ao longo da infância.
Unimos:
ciência
prática culinária
organização da rotina
respeito ao bebê e à família
Porque aprender a comer começa simples — e se constrói com cuidado, tempo e presença.
Conheça nosso programa Primeiras Colheradas.
Este texto faz parte da série Introdução Alimentar do NaCaZinha.
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